Uma bela homenagem será prestada a Jackson do Pandeiro por dois jornalistas paraibanos, Fernando Moura e Antônio Vicente, autores do livro "Coroa de Couro - Uma Biografia de Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo", um dos documentos mais completos que já foram escritos sobre um artista neste país. 

Foram quatro anos de pesquisa e mais de 150 entrevistas com familares, amigos, artistas, companheiros de trabalho e pessoas cuja obra foi influenciada pela música de Jackson do Pandeiro. Os jornalistas paraibanos conseguiram reunir ainda cerca de cem fotos, muitas delas inéditas porque pertencem ao arquivo pessoal da família. Inéditas também são várias letras de músicas encontradas durante o trabalho de pesquisa.  

Os pesquisadores estão ainda estabelecendo a discografia de Jackson do Pandeiro, tendo já identificado mais de 60 discos gravados por ele e ainda o levantamento completo de todos os filmes nacionais dos quais ele fez parte, na época das famosas "chanchadas" da Atlântida.  

A antológica entrevista concedida por Jackson a Grande Otelo, nos anos 60, é um dos destaques do livro. Alguns trechos desta entrevista podem ser lidos em primeira mão clicando aqui. 

O livro será publicado pela Editora 34, mas os autores estão ainda buscando patrocinador.  Se você estiver interessado em oferecer patrocínio, ou tem algum material antigo sobre Jackson do Pandeiro, com discos - LPs e 78 rpm - revistas, fotos, reportagens da época, pode entrar em contato com Fernando Moura pelos telefones (083) 235-2630 ou (083) 982-2284. 

Este site publicará periodicamente material sobre Jackson do Pandeiro, gentilmente colocado à nossa disposição pelos pesquisadores. Isso somente para você ter um gostinho do que vai ser o livro, e ficar com água na boca. 


Fernando Moura, Alceu Valença e Antonio Vicente.

A seguir, leia o artigo de Fernando Moura sobre o livro, escrito especialmente para este site. 


COROA DE COURO 
por Fernando Moura 

José Gomes Filho, o Jackson do Pandeiro, foi tão importante para a música brasileira quanto Luiz Gonzaga ou João do Vale. No país dos ritmos, é considerado o Rei do Ritmo. Com um estilo interpretativo inimitável – nunca repetia a mesma performance  oral –, implantou uma escola musical, cujos seguidores assumidos têm tido o cuidado de preservar sua obra. Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Djavan, entre outros, vêm mantendo acesa a chama do rico acervo deixado pelo mestre, falecido em 1982. 

Clássicos do cancioneiro brasileiro como “Sebastiana”, “Chiclete com Banana”, “1 X 1” e “Forró em Limoeiro” – só para citar alguns dos mais conhecidos – povoam nosso universo musical com uma assiduidade renovada por regravações. O país ouve amiúde Jackson do Pandeiro, mas desconhece completamente José Gomes Filho. 

Paraibano, semi-analfabeto e mulato, conseguiu superar as adversidades tendo como base unicamente seu talento especial com os ritmos, chegando a ser recordista de público e venda nas décadas de 50 e 60.  
Uma febre jacksiniana tomou conta das rádios e tevês há 30 anos, embalados pelos forrós, sambas, cocos, frevos, rojões, maracatus e outros estilos, magistralmente massificados por um dos mais completos músicos brasileiros de todos os tempos. 

Com mais de 400 canções gravadas, desde o bolachão de 78 rotações, morreu pobre e quase esquecido da mídia, gravadoras e produtores.  Mesmo após sua morte, ainda não foi feita a devida justiça à sua genialidade. 

Mostrá-lo, como homem, artista e mito, é o principal objetivo da pesquisa intitulada Coroa de Couro – Uma biografia de Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo. Sua trajetória, de Alagoa Grande, passando por Campina Grande, João Pessoa, Recife até chegar ao sucesso no Rio de Janeiro, é um dos aspectos do trabalho. A pesquisa amplia-se para sua discografia, as parcerias, os filmes, o ápice e a queda de um homem envolvido com várias mulheres, bebida, família e religião. Uma saga fascinante de um brasileiro incomum. 

(21-05-1998) 


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